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Suplementação de Gordura para vacas leiteiras em pastagem

22/05/2014 16h35

Confira a reportagem sobre Suplementação de Gordura, na edição de maio/2014 da revista Balde Branco.

 

 

  

A produção de leite no Brasil está baseada principalmente em sistema que exploram pastagens tropicais ao longo da maior parte do ano. Quando essas pastagens são bem manejadas e adubadas para se obter altas taxas de lotação, os teores de proteína bruta das forragens são elevados, entre 15 e 22%.

Por outro lado, o teor de fibra (FDN) dessas forrageiras é normalmente alto, entre 55 e 65%. Sendo assim, elementos estruturais da planta e seu teor elevado de fibra limitam a ingestão de forragem e, portanto, restringem também a ingestão de energia para a produção de leite.

O fornecimento de concentrado é a estratégia mais eficiente para elevar o consumo de energia de vacas mantidas em pastagens bem manejadas, especialmente no período inicial de lactação, quando o consumo de alimentos ainda é baixo e as vacas se encontram em balanço energético negativo.

No caso de vacas com alto mérito genético, mantidas em pastagens tropicais, é necessário o fornecimento de doses elevadas de concentrado rico em carboidratos fermentáveis no rúmen durante a fase inicial de lactação. Doses entre 8 e 12 Kg por dia são fornecidas para vacas que apresentam pico de lactação entre 24 e 35 Kg de leite/dia. Doses dessa magnitude causam efeito de substituição, com redução no consumo de forragem e aumento no risco de acidose.

A suplementação dos animais com gordura tem se mostrado alternativa viável para elevar o consumo de energia em função do aumento da densidade energética da dieta, sem elevar o risco de acidose. A digestão da gordura promove menores perdas de energia na forma de calor e metano que a de carboidratos.

Além disso, existem dados mostrando que o fornecimento de gordura pode melhorar os índices reprodutivos e aumentar a quantidade de alguns constituintes do leite que são benéficos à saúde humana.

 

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Alteração na composição de sólidos – O fornecimento de gordura geralmente é feito para vacas mantidas em confinamento. Nesses animais, de acordo com publicação recente no Journal of Dairy Science de uma revisão contemplando 59 trabalhos, o fornecimento de gordura melhora a produção de leite na média em 1,0 Kg por dia, mas há variações dependendo de doses e fontes utilizadas.

Entretanto, pouco se sabe sobre a suplementação de gordura para vacas mantidas em pasto, especialmente em pastos tropicais. Animais mantidos em pasto podem ter um balanço negativo mais acentuado em função das limitações impostas ao consumo de nutrientes e , portanto, o fornecimento adicional de energia via fornecimento de gordura poderia promover acréscimos de produção de leite até maiores do que para animais mantidos em confinamento.

Em uma revisão da literatura, foram encontrados 18 trabalhos sobre suplementação com gordura para animais mantidos em pasto, e em apenas dois deles as pastagens utilizadas foram de clima tropical. Nessa revisão, os resultados foram divididos pela fonte de gordura e classificados em saturados (por exemplo: sais de cálcio de óleo de palma, gordura hidrogenada etc.), de acordo com o perfil de ácidos graxos.

Nos 16 trabalhos revisados com animais mantidos em pastagens de clima temperado, a média da produção de leite foi de 22,7 Kg de leite/vaca/dia-1. A suplementação com lipídios permitiu um aumento médio de 1,46 Kg de leite/vaca/dia-1 em comparação com o controle (tabela 1). A adição de fonte saturada permitiu um acréscimo médio de 1,55 Kg de leite/vaca/dia-1 em comparação ao controle. As fontes insaturadas também permitiram acréscimo médio da produção de leite de 1,26 Kg de leite/vaca/dia-1 em comparação ao controle.

 

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Quanto a composição de leite, a adição de fontes insaturadas deprimiu o teor de gordura, em média, em 0,20 unidades percentuais, enquanto a adição de fontes saturas aumentou em média o teor de gordura em 0,26 unidades percentuais. Houve queda no teor de proteína do leite com a suplementação de gordura, independentemente da fonte utilizada.

Já a adição de fontes saturadas de gordura promoveu acréscimo linear da produção de leite corrigida para 4% de gordura. O aumento médio foi de 1,71 Kg de leite dia-1 e está associado ao fato de a suplementação com essa fonte aumentar concomitantemente a produção de leite e o teor de gordura do leite. Em contrapartida, houve tendências de a suplementação com fontes insaturadas promover decréscimo da produção de leite corrigida.

 


Gordura e pasto: Melhoria da produção – Apenas dois trabalhos avaliaram a resposta de vacas em pastagens tropicais à suplementação de gordura. Num deles, vacas em início de lactação foram suplementadas com 700g por dia de gordura protegida (óleo de palma) durante 90 dias. Após esse período, todas as vacas passaram a receber o mesmo concentrado sem gordura e foi avaliado o efeito residual da gordura até o final da lactação (figura 1).

 

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Neste mesmo trabalho, a produção de leite aumentou em média 2,9 Kg por dia e os teores de gordura, proteína e sólidos totais não foram alterados durante os 90 dias de suplementação com gordura. As vacas suplementadas com gordura protegida no terço inicial de lactação apresentaram produção de leite mais elevada até o final da lactação. As vacas que receberam gordura produziram 4,778 Kg de leite ao longo de uma lactação de 273 dias, enquanto as do grupo de controle produziram 4.231 Kg de leite, sendo, portanto, observada uma diferença de 547 Kg de leite na lactação.

Um trabalho recente foi realizado no Departamento de Zootecnia da Esalq-Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/USP, com vacas cruzadas HPB e Jersey no início de lactação, suplementadas com 9 kg de concentrado por dia contendo ou não 400 g de uma das duas fontes de gordura protegida (óleo de palma x óleo de soja) durante 90 dias (do 15º dia ao 105º dia de lactação). Após esse período foi avaliado o efeito residual de gordura até 280 dias de lactação (tabela 2).

 

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Durante os 90 dias de suplementação com gordura, a produção de leite aumentou em 2,6 e 4,8 kg por dia quando os óleos de soja e palma foram utilizados, respectivamente, em comparação com as vacas não suplementadas com gordura. O fornecimento de óleo de soja protegido na dose de 400 g por dia reduziu drasticamente o teor de gordura do leite de 3,48% para 2,87%. Os teores de proteína do leite foram reduzidos para ambas as fontes de gordura protegida.

No período residual, entre o 105º e o 280º dia da lactação (figura 2), os animais suplementados com gordura mantiveram maior produção de leite até o final da lactação, sem diferenças nos teores de gordura e de proteína do leite. As vacas que receberam gordura protegida de óleo de palma produziram 7.328 kg/leite em uma lactação de 280 dias, ao passo que as que receberam  óleo de soja e o tratamento-controle produziram 6.475 e 6.094 kg de leite, respectivamente. Além disso, os animais suplementados com gordura protegida de óleo de palma aumentaram a produção de gordura, proteína e sólidos totais no leite durante toda lactação.

 

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Apesar do óleo de soja protegido, aumentar a produção de leite em comparação com o tratamento-controle, ele não aumentou as produções de gordura, de proteína e de sólidos totais do leite nos 280 dias de lactação. O fornecimento de 400 g por dia de óleo de palma protegido aumentou a produção de gordura, de proteína e de sólidos totais do leite de forma significativa.

 

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Teste com milho moído e floculado – Outro trabalho recente desenvolvido na mesma instituição teve o objetivo de avaliar os efeitos do processamento de grãos (milho moído e milho floculado) e da suplementação com gordura (sais de cálcio de óleo de palma – SCOP). A hipótese do estudo era que a associação entre milho floculado e a SCOP aumentariam tanto a produção de leite quanto a proteína do leite.

Foram utilizadas 40 vacas Holandês x Gir no início da lactação (15 ± 4 dias em lactação) distribuídas nos seguintes tratamentos: I) milho moído sem adição de SCOP; II) milho moído com adição de 400 g/dia de SCOP; III) milho floculado sem adição de SCOP;  e IV) milho floculado com adição de 400 g/dia de SCOP. Os animais receberam 10 kg de concentrado isoproteico.

A produção de leite foi influenciada tanto pelo método de processamento do milho, quanto pela adição de gordura (tabela 3). A maior resposta em produção de leite foi alcançada com a associação do milho floculado com adição de SCOP, sendo 4,8 kg/dia superior ao tratamento com milho moído sem gordura.

 

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A segunda melhor resposta em produção de leite foi com o milho moído com gordura, seguido pelo milho floculado sem gordura. Em média, houve um maior acréscimo em produção de leite para a suplementação com gordura, em comparação com o processamento de grãos. Não houve efeito de suplementação com gordura sobre a gordura do leite.

O processamento do milho afetou positivamente o teor de proteína do leite, em que o fornecimento de milho floculado aumentou a proteína do leite, bem como a caseína, e reduziu o teor de N uréico, o que indica melhor eficiência de utilização do nitrogênio da dieta. O processamento mais intenso dos grãos por meio da floculação rompe as barreiras físico-químicas que limitam o acesso microbiano. Com essas barreiras rompidas, há maior acesso dos microrganismos do rúmen, maior crescimento e síntese de proteína microbiana, que influencia diretamente na síntese de proteína do leite.

Dessa forma, a suplementação com gordura protegida de óleo de palma para vacas no terço inicial de lactação, mantidas em pastagens tropicais, se apresenta como alternativa para aumentar a ingestão de energia e a produção de leite e de sólidos do leite.

Os resultados dos trabalhos com fornecimento de gordura para vacas mantidas em pastagem tropical são animadores e evidenciam um benefício residual no fornecimento de gordura no início da lactação, aumentando a produção de leite e sólidos totais durante toda a lactação.

 

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