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Estudos da USP comprovam a superioridade da gordura protegida de palma sobre a soja

18/02/2014 17h43

TEXTO EXTRAÍDO DA REVISTA BALDE BRANCO - EDIÇÃO DE MAIO DE 2013.

Estudos da ESALQ mostram que a adição de gordura à suplementação significa maior estímulo energético para as vacas em regime de pasto produzirem mais. Pelas características das pastagens tropicais, as vacas de maior potencial produtivo nesse sistema têm um déficit na ingestão de energia no início do processo produtivo, mesmo que o pasto esteja bem manejado. Tal insuficiência impede que expressem do que são capazes em termos de produção.

O ajuste de tal capacidade, no entanto, pode se dar a partir do fornecimento de gordura inerte (também denominada de gordura by pass, ou gordura protegida), um ingrediente já utilizado para vacas de alta produção em confinamento, mas que agora se mostra também eficaz em estratégias nutricionais em pastejo. Prova disso vem sendo dada pelos estudos conduzidos há dois anos na fazenda da ESALQ - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - USP, em Piracicaba – SP, cujos experimentam contam coma supervisão do professor Flávio Augusto Portela Santos, do departamento de Zootecnia. “No sistema de produção a pasto, o grande desafio em relação às vacas de melhor padrão genético sempre foi aumentar a ingestão de energia que atendesse às suas necessidades”, justifica. Para ele, isso ocorre mesmo com as vacas recebendo suplementação. A correção de tal resultado pode se dar, num primeiro passo, aproveitando-se todo o potencial energético do milho, com eficiência e sem desperdício, acrescido do “algo a mais” proporcionado pela gordura inerte.

Conforme explica o zootecnista e mestrando Jonas de Souza, o uso de suplementos na fase inicial da lactação é essencial para minimizar a intensidade da mobilização de reservas. “Porém, se houver a utilização de fontes de amido em quantidades excessivas, podem ocorrer distúrbios metabólicos, como a acidose, ou afetar a digestão de demais componentes da dieta”. “Para contornar essa situação, tem sido proposto o aumento na densidade calórica via inclusão de lipídeos”, assinala. Melhor aproveitamento do milho – Para alcançar todo o potencial de energia fornecido pelo milho no concentrado para vacas em pasto está se estudando formas de processamento que permitam maior aproveitamento do grão, já que em geral se dará com o grão duro, o que limita sua digestibilidade. ”Então, estamos empenhados em identificar um nível alto de suplementação ao pasto bem manejado para fornecer mais energia do que se consegue com o tradicional milho moído”, cita o professor. Nesse sentido, primeiramente está sendo estudado o milho floculado, amplamente utilizado nos EUA e que só agora começa a ser empregado por aqui.

Com a floculação, o animal é capaz de aproveitar melhor o valor energético do milho. “Estamos testando os efeitos do milho floculado para vacas em lactação em regime de pasto, já que há uma carência de dados nessa condição”, diz Santos. Santos observa que comumente se pensa que a adição de gordura inerte se justifica apenas para vacas confinadas, de alta produção. Mas que para em regime de pasto é comum ouvir que a inclusão de gordura não se justifica. Para ele a realidade pode se mostrar o contrário. “Essa vaca de alto potencial genético em pasto, quando desafiada com doses altas de concentrado chega a dar picos de lactação de 25 a 35 litros por dia. Muito provavelmente ela vive uma condição de restrição energética maior do que de uma vaca confinada, que produz 45 litros de leite por dia e recebe uma dieta com alta densidade energética no cocho fácil de ser ingerida” diz, com base nos experimentos realizados.

Os dados mostram uma resposta de vacas em pasto (consumindo uma dose alta de concentrado a base de milho) muito boa à suplementação com uma fonte de gordura inerte de palma (sais de cálcio de óleo de palma). Já em relação à gordura inerte de óleo de soja, se constatou que esta causa uma redução drástica da gordura do leite, seja nas vacas em pasto seja nas vacas em confinamento. BENEFÍCIOS DA GORDURA DE PALMA – No Brasil, experimento conduzido pela zootecnista e mestranda Fernanda Batistel está sendo estudada a gordura inerte de palma (400 g) em combinação com o milho submetido a diferentes tipos de processamento: milho moído sem a adição de gordura; milho moído com gordura de palma; e milho floculado com e sem gordura. São dois experimentos juntos: o de desempenho (produção, composição do leite e escore de condição corporal) com 40 vacas (sendo 28 holandesas x Gir e 12 Holandesas x Jersey), e quatro vacas, com cânulas ruminais, para avaliação de volume de ácidos graxos voláteis, pH ruminal, proteína microbiana, ou seja, o metabolismo de fontes de gordura.

Os animais recebem quatro tratamentos: 1- Milho moído (dieta de controle, que é a comumente utilizada pelos produtores); 2- milho moído dos quais são substituídos 400 gramas por gordura de palma; 3- milho floculado; 4- milho floculado mais a gordura. São 10 kg de concentrado (incluída a gordura). Desde as primeiras semanas, já se observaram os efeitos positivos. Os dados de produção de leite e de composição mostram o impacto dessa estratégia nutricional na produção de vacas em pasto. O milho floculado em comparação com o milho moído elevou a produção de leite em 1,5 litros de leite por vaca; milho floculado mais os 400 gramas de palma levaram a um aumento de 4,5 litros de leite por vaca, comparativamente ao tratamento controle. Tais valores podem mudar após a atualização final dos dados. Nesses dados, se observa que ao ser adicionada a gordura, a produção de leite é bem maior do que quando se usa apenas o milho floculado, diz ela. Enfatiza ainda um dado interessante: a adição de gordura reduziu a gordura do leite, porém, com o uso do milho floculado, a proteína aumentou 0,3% em média.

Mais informações:

Jonas de Souza. E-mail: souza@zootecnista.com.br

Fernanda Batistel. E-mail: fernanda-batistel@hotmail.com

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